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Para algumas vias, é praticamente obrigatório levar um croqui quando se escala à vista. Grampos escondidos e horizontais inesperadas são algumas das surpresas que uma escalada pode revelar.

Existem casos de escaladores que erraram a via e fizeram lances longuíssimos, sem encontrar nenhuma proteção, sendo obrigados a desescalar. Ou escaladores que desistiram da via porque não sabiam por onde seguir, e ainda aqueles que começaram por uma via e terminaram em outra sem saber.

Muitos já passsaram por situações parecidas, seja no Babilônia ou no Pico Maior de Salinas, em Nova Friburgo. Em muitas dessas situações, um croqui teria feito a diferença. O ideal é ter o croqui sempre com o guia e à mão, nada de deixá-lo na mochila do participante. É a Lei de Murphy: na hora em que você mais precisar dele, mais estará incomunicável com o participante.

Uma boa dica é tirar uma fotocópia reduzida do croqui, tomando o cuidado para que não prejudique a leitura. Por exemplo, no caso dos croquis do Guia da Urca*, uma redução de até 36% é o suficiente. Com o croqui reduzido, corte as margens excedentes e plastifique para torná-lo mais resistente. Depois, faça um furo, passe um cordelete por ele e clipe o croqui no baudrier. Não deixe de arredondar as pontas, que podem incomodar. Levando o croqui desta maneira você pode, dependendo do lance, consultá-lo mesmo entre um grampo e outro.

Para terminar, vale lembrar que os croquis não fazem milagres, uma boa leitura de via, bom senso e experiência são sempre importantes.

* Os croquis do Guia da Urca têm 17 cm de altura por 3,5 cm de largura em cada linha da via. No exemplo acima, a via possui três linhas, ou seja 10,5 cm de largura.

Fonte:
Revista Fator 2 - Número 21 (2003)


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